28 de AGO. de 2015
A recessão, de fato
28 de Agosto de 2015

Dilma e o PT estão produzindo mais um feito histórico: a mais severa retração econômica das últimas décadas. E não fazem a menor ideia de como nos tirar dela


Carta de Formulação e Mobilização Política, 28 de agosto de 2015, Nº 1208


Foi pior do que o previsto. O resultado do PIB do segundo trimestre, divulgado nesta manhã pelo IBGE, revela crise ainda mais brava do que já se temia. A economia brasileira tombou em peso. A recessão, agora tanto de fato quanto técnica, é obra com selo de qualidade do PT.

A queda no trimestre foi de 1,9%, na comparação com os três primeiros meses do ano. É o pior resultado desde 2009, e muito acima do que previam analistas. Como já houvera retração no primeiro trimestre (agora revista para -0,7%), o Brasil está oficialmente em recessão.

Em relação a igual período do ano anterior, ou seja, o segundo trimestre de 2014, o tombo da produção brasileira de bens e serviços chegou a 2,6%, quinta retração consecutiva e a mais longa sequência de baixas da série iniciada há 19 anos.

Desta vez, pelo lado da oferta, nenhum setor de atividade resistiu. Ruíram todos, inclusive a agropecuária, que até o primeiro trimestre ainda vinha apresentando alta. A indústria foi a que se saiu pior, com baixa de 4,3% sobre o trimestre anterior. Do lado da demanda, só as exportações não recuaram no período.

Os investimentos tiveram baixa horrorosa, de 8,1% sobre o primeiro trimestre – a oitava retração consecutiva nesta base de comparação – e de 12% em relação ao segundo trimestre de 2014, quinta seguida e a maior desde 1996. A taxa de investimento como proporção do PIB despencou, para 17,8%, a menor desde 2007.

Antes esteio do modelo econômico petista, o consumo das famílias também desabou 2%, “explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do período”, segundo o IBGE. O PIB per capita terá várias quedas anuais seguidas, empobrecendo o brasileiro – estima-se que, em dólar, a baixa chegue a 30% neste ano.

A economia brasileira é, de longe, a de pior desempenho entre os países da OCDE. Entre 25 nações que já divulgaram o resultado do PIB do segundo trimestre, apenas seis registraram queda. Nenhuma tão acentuada quanto a do Brasil.

Dilma Rousseff caminha para produzir o pior resultado econômico desde Fernando Collor e esmera-se em fabricar a recessão mais longeva dos últimos 80 anos. Desde a Grande Depressão, nos anos 1930, o PIB não tem duas quedas consecutivas, algo que agora parece líquido e certo com as perspectivas sombrias também para 2016.

Na realidade, o Brasil já está soterrado em recessão desde o segundo trimestre de 2014, de acordo com critérios técnicos usados pela FGV. A penúria atual tende a ser mais severa e sua duração, mais prolongada. Além disso, a crise é fruto de fatores estritamente internos. Não há tsunami, nem marolinha externa que justifiquem o mergulho da nossa economia.

Não adianta perguntar para a presidente da República por que estamos tão mal. Ela terá na ponta da língua algumas elucubrações, todas furadas. Pode tentar alegar que “não sabe”, como já fez noutra ocasião, ainda em meados de 2014. Pode querer dizer que “levou muito susto”, como na entrevista que concedeu a três grandes jornais nesta semana. Uma coisa é certa: Dilma Rousseff não faz a menor ideia de como nos tirar da enrascada em que colocou o Brasil.

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