20 de MAI. de 2016
Bombas-relógio
20 de Maio de 2016
Espólio petista: de contas erradas e orçamentos inchados a sabotagens abertas contra a transparência e o interesse público


Passada uma semana desde a ascensão de Michel Temer à presidência da República, o legado deixado pelo PT vai ganhando contornos mais nítidos. Se o conjunto do estrago já era relativamente conhecido, o tamanho da devastação ainda é uma incógnita. A gestão Dilma deixou de presente para os brasileiros uma série de bombas-relógio prestes a detonar.

O contorno da herança maldita é fornecido pela extensão do rombo nas contas públicas estimado para este ano. Numa espécie de viagem ao fundo do poço, a meta fiscal que começou num superávit de R$ 24 bilhões caminha para um déficit que oscila entre R$ 180 bilhões e R$ 200 bilhões. Deste desequilíbrio monstro, raiz do impeachment de Dilma, decorrem as demais impropriedades.

Um a um, os novos ministros vão se deparando com o esfarrapado espólio petista. Tem de tudo um pouco: de muita conta errada e orçamentos inchados a bondades salariais fora de hora; de malandragens na batalha de comunicação a sabotagens abertas contra a transparência e o interesse público. São como jabutis em copa de árvore.

No Ministério das Cidades, Bruno Araújo encontrou milhares de promessas do Minha Casa Minha Vida que não tinham um saco de cimento para parar em pé. Voltados à modalidade criada para atender "entidades", ou seja, satélites do PT, os contratos foram assinados a toque de caixa nos últimos dias do governo Dilma - varando, inclusive, fins de semana. Como não há um centavo no cofre para custeá-los, foram agora congelados.

A área de comunicação foi pródiga em presentes de grego. Nove dias antes do impeachment, a presidente afastada nomeou um novo diretor-presidente para a EBC, a estatal que cuida da comunicação de governo, a despeito de seu imutável traço de audiência. O petismo pretendia manter Ricardo Melo à frente do aparelho de propaganda oficial pelos próximos quatro anos, mas ele foi, agora, afastado. Ao mesmo tempo, em apenas cinco meses a antiga gestão zerou o caixa de publicidade para este ano, numa autêntica tática de terra arrasada.

Mas, do ponto de vista financeiro, tudo isso é fichinha perto de alguns acordos salariais que a gestão petista assinou - literalmente - nas horas finais da administração Dilma, no mesmo instante em que o Senado já votava o afastamento dela. Foram contemplados quase 75 mil servidores com reajustes de até 28% nos vencimentos. O novo governo estuda não bancar a bondade feita com chapéu alheio.

Nem arquivos de computador se livraram da devastação: o Palácio do Planalto simplesmente apagou registros de quem transitou pelos gabinetes petistas nos últimos tempos, certamente porque tem muito a esconder. Trata-se, em suma, da postura de guerrilha de um governo que deixou o poder pela porta dos fundos, sem sequer transmitir cargos à administração que chegava. Quem, afinal, são os golpistas nesta história?

- Carta de Formulação e Mobilização Política Nº 1367

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